Mulheres com deficiência enfrentam maior exposição à violência; governo registra mais de 33 mil relatos em 2026

Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram desafios adicionais relacionados à acessibilidade e à proteção

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, colocou em evidência uma realidade que ainda recebe pouca atenção: mulheres com deficiência estão sujeitas a diferentes formas de violência e enfrentam obstáculos adicionais para acessar serviços de proteção.

Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram que, até setembro de 2026, o Ligue 180 registrou 4.933 denúncias envolvendo mulheres com deficiência, nas quais foram relatados 33.676 casos de violência. O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia e também oferece atendimento em Libras. 

Os números fazem parte do painel de dados da Central de Atendimento à Mulher e mostram a dimensão do problema. A violência pode ser física, psicológica, sexual, patrimonial, moral ou institucional.

Além da violência em si, mulheres com deficiência podem enfrentar dificuldades para denunciar os agressores. Barreiras físicas, falta de comunicação acessível e dependência de terceiros podem dificultar o acesso aos serviços públicos e à própria rede de proteção.

O Ministério das Mulheres também cita dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM) 2026. Segundo o levantamento, em 2024 foram registradas 13.424 notificações de violência doméstica, sexual ou outras violências contra mulheres de 20 a 59 anos com algum tipo de deficiência ou transtorno. 

A questão também envolve o acesso à saúde, assistência social, segurança pública e Justiça. Para que uma denúncia seja efetiva, não basta que o serviço exista: ele precisa ser acessível à vítima.

O Ligue 180 disponibiliza atendimento por telefone, WhatsApp, e-mail, chatbot e videochamada em Libras. O WhatsApp funciona pelo número (61) 9610-0180.

Em situações de emergência, quando a violência está acontecendo ou existe risco imediato, a orientação oficial continua sendo acionar a Polícia Militar pelo 190.

O Ministério das Mulheres destaca que o enfrentamento da violência contra mulheres com deficiência exige articulação entre diferentes áreas do poder público, incluindo saúde, assistência social, educação, segurança e Justiça.

A discussão ganhou ainda mais relevância nesta semana porque o Senado também anunciou que a Comissão de Direitos Humanos divulgará dados relacionados à violência contra mulheres com deficiência. 

O cenário reforça que políticas de proteção precisam considerar não apenas o gênero, mas também as diferentes condições de vulnerabilidade enfrentadas pelas vítimas.

Fontes: Ministério das Mulheres e Senado Federal.

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