Aline Torres, secretária da Cultura da cidade de São Paulo, fala sobre projetos, nova variante da Covid-19 e racismo: “É uma oportunidade para que a gente abra fronteiras”

Liderando a Secretaria de Cultura de São Paulo desde agosto, Aline Torres conversou com exclusividade com a equipe da Revista Mulher Determinada, diretamente do prédio da pasta

Texto: Matheus Godoy

Pela primeira vez na história, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo é comandada por uma mulher negra. Aos 35 anos, Aline Torres tem a missão de liderar uma das pastas de maior relevância da cidade mais impor tante do continente. Graduada em Relações Públicas e Pós-graduada em Gestão de Projetos Culturais pela ECA, a nova secretária foi escolhida em agosto, pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), após a saída de Alê Youssef. Antes de assumir o posto, ela estava como adjunta na pasta de Inovação e Tecnologia.

Cria de Pirituba, na região noroeste da capital paulista, Aline também foi diretora-geral do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso e desenvolveu projetos para a Fundação Padre Anchieta, na TV Cultura. Além disso, se candidatou duas vezes a cargos legislativo: primeiro em 2018, filiada ao PSDB, para o cargo de deputada Federal; e em 2020, já pelo MDB, como vereadora de São Paulo.

“A rua é o palco mais democrático que existe, principalmente na Avenida Paulista, que é o maior corredor cultural da cidade. E é democrático justamente porque os artistas vão para lá sem precisar de muito para apresentar seus trabalhos”, disse a líder da pasta exaltando a presença dos artistas de rua na capital. Confira toda a entrevista:

Como você recebeu o convite para assumir a secretaria de Cultura da cidade mais importante do país? Quais são os desafios prioritários, na sua opinião?

Fiquei muito feliz com a confiança do prefeito (Ricardo Nunes) no meu currículo para conseguir tocar essa pasta. Os primeiros desafios são muitos, não dá nem para contar na mãozinha. Mas eu já trabalhei aqui na secretaria, em outro lugar, então eu tenho uma boa noção e não foi tão difícil me aprofundar nos programas porque eu já conhecia. É mais uma organização de gestão, conhecer as pessoas, porque a secretaria é feita de pessoas.

Como a prefeitura tem trabalhado a descentralização da cultura?

A descentralização é o grande mote dessa gestão, a gente costuma dizer, na análise geral, é que empenhamos grande parte dos recursos da secretaria nos equipamentos centrais da cidade. Quando a gente fala que vai descentralizar os recursos, não significa que vamos parar de destinar dinheiro aos equipamentos centrais, pelo contrário, nós vamos equilibrar um pouco mais essa balança, trazendo os artistas das periferias para se apresentar nos palcos centrais e levando grandes artistas para palcos periféricos. É fortalecer, fazer formação de público, de plateia, fazer gestão e formação com artistas da periferia. É fazer com que esses artistas tenham um pouco mais de potência para ocupar os espaços centrais.

Como a secretaria recebeu a notícia da nova variante do novo coronavírus? O planejamento do ano que vem está sendo refeito?

Levamos um susto porque nossa expectativa e planejamento de 2022 era de fazer a retomada dos espaços. O prefeito Ricardo Nunes fez um grande pedido para que a gente fizesse um planejamento para que a cultura fosse uma das principais ferramentas da retomada econômica, fazendo um fortalecimento econômico dos artistas em todos os níveis, desde a galera da graxa aos artistas vocais. Então nós fizemos um grande desenho para isso e agora temos que parar um pouco e entender como será essa variante.

A prefeitura já está montando o planejamento da Virada Cultural? A princípio, ela será realizada de forma física?

A Virada Cultural também está no foco da descentralização, então a ideia é fazer uma virada com grandes polos periféricos, então ter a mesma qualidade artística e estrutura nos palcos da periferia. Normalmente nossa virada acontece no mês de maio, então nossa expectativa é que até lá, nossa cidade já esteja ainda mais vacinada e que possamos manter a programação dos shows.

Como a senhora enxerga o fato de ser a primeira mulher preta a comandar a secretária de Cultura da capital paulista?

É a sociedade em que a gente vive, infelizmente. Obviamente ser a primeira tem os seus pontos positivos e negativos. Mas eu enxergo isso com muita tranquilidade, é uma oportunidade para que a gente abra fronteira para novas. Temos aí a Ligia (Ramos) à frente da Cultura de São Bernardo também. Então isso está servindo para incentivar novos horizontes, daqui a pouco seremos muitas.

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