DESAFIOS DAS MULHERES EMPREENDEDORAS

Cenário é positivo, mas ainda é necessário mudanças

woman in white knit sweater sitting on chair
Photo by Eric on Pexels.com

Texto:Anne Garcia 

Empreendedora, estilista e mãe, Anne Garcia faz parte do grupo de 9,3 milhões de brasileiras que estão à frente do próprio negócio, de acordo com estudo do IBGE . Mesmo neste período de instabilidade econômica, o empreendedorismo feminino cresce a cada ano. Segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), hoje são 24 milhões de mulheres no mundo, frente a 28 milhões de homens, sendo o Brasil, o sétimo país com o maior número de mulheres empreendedoras.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela pandemia de Covid-19, Anne faz um balanço positivo dos empreendimentos em 2020. “No início do ano houveram alguns contratempos, mas com calma tudo foi tomando forma. A minha carreira de um lado paralisou, e do outro está decolando. Esse ano foi bastante turbulento, mas isso só me fez aprender e crescer, como mãe e empresária”, afirma.

Como estilista, Anne nunca para de criar, sempre tem em mente algumas coleções. Porém, se viu estagnada durante um período deste ano devido às importações de matérias-primas do exterior, pelas dificuldades de logística e atrasos dos produtos com a pandemia.

O lado que está decolando é a produtora Evooz Music, a qual Anne é sócia, e foi lançada em dezembro. Em 2021, há uma expectativa de 200% de crescimento. “A cada dia bate na nossa porta MCs novos e cheios de talento”, relata Anne. Somente em 2019, a produtora teve um investimento de R﹩ 10 milhões.

Empreender

Empreendedorismo está na alma da Anne, morou mais de 15 anos na Itália, onde se aperfeiçoou na área de moda e possui uma produtora de filmes. No Brasil, além da produtora musical, está à frente das marcas Siciliano e Anne Garcia e investe no ramo imobiliário e agronegócios.

A empresária relata as dificuldades enfrentadas ao longo da carreira por ser mulher e jovem. “No início foi muito complicado, por ser muito nova as pessoas não davam credibilidade. Além disso, nesta época havia ideias brilhantes, mas com poucos recursos. Era bastante difícil encontrar alguém que pudesse investir nas minhas ideias, na verdade foi impossível. Tive que fazer sozinha com muita paciência. Quando estava na Europa sofri preconceito por ser brasileira, e ainda sofro por atuar em áreas de trabalho masculino, como de investimentos”.

Embora os dados mostrem uma maior participação feminina no universo empreendedor, ainda há um longo caminho a ser percorrido no mercado de trabalho. O estudo da GEM revela que o rendimento mensal das mulheres é 22% menor do que o dos homens. Ainda segundo o GEM, os homens dedicam, em média, 37,5 horas ao negócio e as mulheres 30,8. Conciliar jornada de trabalho com as atividades pessoais e domésticas ainda é um grande desafio para as empreendedoras.

Para 2021, Anne se mantém positiva para o mercado. “Uma vez conversei com o senhor Félix, proprietário do hotel Hilton de Roma. Ele disse que o primo construiu o império em tempos de crise (guerra). E comparando com outras histórias parecidas, notei que um grande número de pessoas conseguiram as melhores parcerias justamente no período de forte crise. Continuando nessa linha de pensamento, sabendo que em 2021 o Brasil não estará nos seus melhores momentos, aproveitarei para semear. E vamos ver se terei a mesma sorte do primo do senhor Félix”.

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