Caso Mariana Ferrer: O início de uma batalha contra o direito das mulheres

Após a audiência de humilhação da vítima pessoas iniciam campanhas nas redes sociais contra o grupo de judiciário que estava presente.

 Texto: Julia Peres

Nos últimos dias muito se tem falado sobre o caso de Mariana Ferrer, uma mulher vítima de violência sexual em 2018, pelo acusado André Aranha Camargo, que aconteceu em Florianópolis, em uma casa noturna a onde a mesma foi contratada para ser uma das recepcionistas, mas durante aquela noite tudo mudou.

Hoje voltamos a falar sobre esse caso pela forma como foi o julgamento de 2 instância do acusado, que foi absolvido por uma questão inédita no sistema judiciário, foi declarado como “Estupro Culposo” e absolvido, no entanto, esse termo não é encontrado em nenhuma lei, além de ser um termo que deixou todas as mulheres revoltadas afinal um crime é considerado culposo quando não existe a intensão de realiza-lo o que não se aplica em casos de estupro.

Além da forma como o advogado de defesa, Claudio Gastão da Rosa Filho, tratou a vítima durante a audiência, mostrando fotos sensuais da vítima como uma forma de humilhação da mesma perante o juiz Rudson Marcos, que também não interrompeu o ato de desrespeito com a vítima e absolveu o real de “Estupro Culposo” um crime que no caso não existe no direito penal.

As ações trouxeram revolta por todas as redes sociais, artistas e até mesmo pessoas do sistema judiciário, algumas opiniões sobre caso causaram indignação, muitos tentaram entender o processo que corre em segredo. Os movimentos de mulheres pedem nova apuração do caso, afinal como alguém é absolvido de um crime que nem sequer existe.

Tentando entender o caso: André Aranha foi acusado por estupro de vulnerável, quando o ato ocorre e a vítima não tem condições mentais de reagir, como se esta drogada, desacordada, se tem algum problema metal, esse deveria ter sido a ação abordada na audiência. Durante todo o processo Mariana apresentou o máximo de provas que pode como testemunho, exames de corpo de delito e as imagens de segurança da casa.

No primeiro depoimento o acusado negou que tenha tido relações com ela, no entanto, foi coletado sêmem encontrado na vítima e comparado com o mesmo, dando positivo para o “DNA”, depois da comprovação o real mudou o depoimento dizendo que não percebeu que a vítima não estava em condições.

Foi apresentado também o depoimento do uber que levou a vítima para casa que disse que ela estava completamente alterada, apesar de todas essas ações o resultado foi o descrito. Vemos no processo que o termo estupro culposo não foi citado na sentença, mas foi declarado durante toda a audiência. Mariana Ferrer em um vídeo da audiência implora pelo mínimo de respeito, algo que todos deviriam ter independe de qualquer coisa, algo que as mulheres têm que lutar para conseguir, algo que não tiveram sobre ela em uma ação a onde ela era a vítima e não a acusada. Todos querem justiça por ela, afinal não se trata apenas dela, mas sim de milhares de mulheres que sofre abusos sexuais no mundo inteiro e assim seguimos pelo desfecho do caso perante justiça brasileira.

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