CORONAVÍRUS: O SOFRIMENTO DA COMUNIDADE TRANS COM O ‘LOCKDOWN POR GÊNERO’ NO PANAMÁ

Mulher não foi atendida em mercado e polícia de seu bairro já a havia atacado por ser trans
Texto: epoca
A quarentena contra o novo coronavírus no Panamá é rigorosamente fiscalizada. O sistema imposto pelo país permite que homens saiam às ruas em um dia e mulheres em outro. Mas isso tem sido usado por alguns como uma desculpa para atacar membros da comunidade trans.
Monica é uma excelente cozinheira. Como muitas pessoas, durante o lockdown imposto por causa do coronavírus, ela fez refeições elaboradas para se distrair durante as longas horas passadas dentro de casa.
Numa quarta-feira do mês passado, Monica pensou em fazer frango marinado em um molho de tomate picante com arroz. Ela já tinha a maioria dos ingredientes, mas precisava do frango. Então, deixou sua pequena casa perto do aeroporto da Cidade do Panamá que ela compartilha com membros mais afastados de sua família para ir ao mercado do bairro.
No caminho, passou por grupos de mulheres, algumas delas de braços dados com os filhos. Fazia mais silêncio do que o habitual no bairro, pois o governo havia acabado de introduzir uma nova medida para conter a disseminação do coronavírus, permitindo que as mulheres deixassem suas casas para comprar itens necessários à segundas, quartas e sextas-feiras e homens às terças, quintas e sábados. Aos domingos, todos têm que ficar em casa.

Monica entrou no mercado. Ela conhecia bem a família chinesa dona do estabelecimento. Eles a adoravam. Mas quando ela entrou, a atmosfera mudou. O proprietário se aproximou dela silenciosamente, seu rosto sem o sorriso que ela estava acostumada a ver
