“A protagonista do parto é a mulher”, afirma obstetra Roberta Kronemberger, do Hospital Universitário
Texto: Revista Mulher Determinada
MATHEUS GODOY Um dos temas mais recorrentes na atualidade em debates, palestras e simpósios sobre saúde é a questão dos partos humanizados. Como o próprio nome sugere, esses partos garantem uma maior segurança e conforto às gestantes, que podem escolher por esse procedimento ou pelo parto cesáreo.
Por conta desses recorrentes debates, pode-se dizer que houve uma disseminação das informações sobre o método. Anteriormente, poucas pacientes conheciam seus direitos e faziam o parto cesáreo por imposição de obstetras ou da instituição médica.
A revista Mulher Determinada conversou com a médica ginecologista e obstetra especializada em medicina fetal e gestação de alto risco, Dra. Roberta Kronemberger, chefe da enfermaria de alto risco do Hospital Municipal Universitário de São Bernardo do Campo. A especialista falou sobre os partos humanizados e detalhou um pouco de como são os procedimentos no município.
Mulher Determinada: A senhora é bem conhecida pela atenção e carinho com suas pacientes. Qual a diferença que esse tratamento faz para que as gestantes se sintam melhores e mais confiantes na hora do parto?
Dra. Roberta: O momento do trabalho de parto e puerpério são únicos para cada mulher e cada gestação. Acredito que quando temos informação de qualidade e respeito pelas opiniões do próximo, isso faz com que venha a confiança para esse momento tão importante. Além disso, sempre uso palavras de incentivo e positivas para mostrar que quem comanda a situação é a mulher que está passando pelo processo e não as pessoas que estão em volta. A protagonista do parto é a mulher.
MD: Olhando para todo o contexto brasileiro, a senhora acredita que falta esse tipo de relação entre obstetra e paciente?
Dra. Roberta: Acho que tudo é questão de evolução. Conheço inúmeros profissionais que agem e pensam da mesma forma. Acredito que a maioria dos obstetras está nesse caminho.
MD: Muitas discussões foram acentuadas nos últimos anos sobre a violência obstétrica. A senhora acredita que a partir desses questionamentos e discussões, houve uma melhora nos atendimentos às gestantes? As pacientes estão tomando conhecimento de seus direitos?
Dra. Roberta: Sim, houve uma melhora importante tanto na divulgação de informação de qualidade quanto na procura dessa informação pelas mulheres.
MD: De que forma os partos humanizados auxiliam na imagem do HMU? A senhora considera o hospital como uma das referências no Estado de São Paulo?
Dra. Roberta: Acho que a assistência prestada a todas as pacientes por toda equipe multidisciplinar (desde a entrada da paciente na recepção até o pós-parto) é que faz a diferença no nosso serviço. Todos têm um objetivo em comum que é o de prestar assistência de qualidade.
MD: Há cerca de dois anos, a senhora participou de uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, e mencionou que é possível ter uma maternidade pública dando bom atendimento às pacientes. Essa afirmação vem de fato se concretizando com o HMU?
Dra. Roberta: Sim, vem se concretizando. O trabalho desenvolvido no HMU é uma prova disso.

