A evolução das roupas íntimas femininas

Mesmo com sua evolução, as peças atuais contam com influência de modelos de décadas passadas e alguns movimentos
Texto: Costa norte
Quem acredita que apenas as peças de roupas para o cotidiano são alvo da evolução da moda, está redondamente enganado. As roupas íntimas também passaram por muitas transformações e adaptações ao longo do século.
As roupas íntimas femininas foram as que mais sofreram modificações ao longo dos últimos 100 anos — de espartilhos desconfortáveis e anáguas, à divisão das peças para a composição de um conjunto. Confira, a seguir, quais foram as principais mudanças.
Quando tudo começou
Estudos mostram que as primeiras roupas íntimas surgiram no século III antes de Cristo, na Grécia, quando as mulheres sentiram necessidade de cobrir os seios. Para isso, elas utilizavam uma espécie de túnica, que ia até o tornozelo, ou tecidos em formato de bandagem
A ideia foi levada adiante e, na Idade Média, as mulheres passaram a utilizar túnicas com cordões amarrados à cintura, sendo um precursor do corselet. Havia, ainda, uma variação de corpete, em que a peça, conhecida como bliaud, era costurada na saia e tinha amarrações laterais ou nas costas.
Na Baixa Idade Média, surgiram as peças com os enchimentos. Na época, a beleza feminina consistia em ventre mais saliente e seios menores. Para isso, as mulheres utilizavam roupas íntimas que comprimissem os seios e deixassem o ventre mais arredondado e evidente. Esse formato de corpo é conhecido como silhueta gótica.
Quando as peças íntimas eram desconfortáveis
As roupas íntimas femininas são, sem dúvida alguma, muito mais confortáveis, atualmente, do que eram em 1900, por exemplo. Nessa época, as mulheres tinham, como lingerie, roupas grandes e muito justas na cintura, para que o busto ficasse mais volumoso e a cintura, mais fina.
Poucos anos depois, essa peça de roupa evoluiu para um vestido, na altura dos joelhos, com um espartilho. Elas eram muito utilizadas, principalmente, pelas cortesãs, uma vez que essas roupas íntimas eram tidas como sensuais, na época.
Em 1920, o cenário mudou e, com isso, as mulheres passaram a utilizar roupas íntimas mais confortáveis. Era a época das anáguas, semelhantes a uma camisola de cetim, atualmente.
Quando o tamanho começou a diminuir
Nos anos de 1930, as peças de roupas íntimas femininas começaram a diminuir de comprimento e a ganharem um corte mais moderno. O tecido ficou mais fino, e as composições eram muito semelhantes ao babydoll.
Na década seguinte, as peças se tornaram combinações de calcinha, sutiã e uma espécie de saia, sendo ainda mais confortáveis do que as roupas anteriores. O grande marco, em 1940, foram os sutiãs de cones, que se popularizaram com a cantora Madonna.
Quando a roupa íntima se fez presente na moda
O ano de 1950 foi um grande marco para a evolução da roupa íntima feminina. O que antes eram peças desconfortáveis e sem beleza, com o único intuito de valorizar o corpo da mulher, na década de 50, as combinações passaram a estar presentes no mundo da moda.
Christian Dior foi o responsável por criar um modelo de calcinha e sutiã que, além de carregarem as características da combinação da década anterior, fez com que o corpo da mulher fosse valorizado, especialmente, cintura e busto, com um espartilho melhor.
Ainda nos anos 50, as lingeries de cor preta passaram a ganhar um espaço maior na moda e, também, no guarda-roupa feminino. A partir daí, as peças passaram a ser mais sensuais e trabalhadas com rendas e transparências. Essa moda, inclusive, teve grande influência da atriz Brigitte Bardot.
Quando o minimalismo se fez presente
Junto à revolução sexual, os anos 70 marcaram as peças íntimas minimalistas, ou seja, os tamanhos diminuíram drasticamente, quando comparados aos anos anteriores, e o conforto se fez ainda mais presente, ao lado da sensualidade.
Sofrendo influência do movimento pin-up, da década de 50, as mulheres passaram a encarar a lingerie como uma combinação que pudesse ser mostrada, ao invés de ser apenas mais uma peça de roupa. Foi, então, que as calcinhas e sutiãs passaram a colorir o cenário das mulheres emancipadas e completamente independentes.
A partir daí, as indústrias passaram a se preocupar ainda mais com a produção dessas peças. Era possível encontrar modelos cada vez mais diversificados, de muitas cores e tecidos, com o objetivo de agradar todas as mulheres.
As rendas e transparências se fizeram ainda mais presentes, assim como a seda. Seus detalhes e bordados eram cuidadosamente trabalhados, fazendo com que sutiãs e calcinhas agradassem, antes de mais nada, os olhos das consumidoras.
Desde então, pouca coisa mudou. Inclusive, na moda íntima atual há muitas referências dos anos anteriores, como, por exemplo, as calcinhas hot pants e, até mesmo, em suas estampas, como a xadrez, que foi muito popular nos anos 90.
