Delegada Graciela: Deputada é a primeira mulher da história de Franca eleita à ALESP

Texto: Beatriz Leonel

Delegada Graciela, ou Graciela de Lourdes David Ambrósio, é casada com o investigador de polícia Paulo Ambrósio. É mãe de dois meninos, o Urias, de 23 anos, e Pedro, de 12. É natural de Pedregulho, e aos 15 anos mudou-se para Franca para poder estudar.

Se formou na Faculdade de Direito de Franca, e foi vereadora pelo município por três mandatos consecutivos, entre os anos de 2001 e 2012. Foi escrivã por três anos e há 29 anos é delegada de polícia, 24 desses anos ficou à frente da Delegacia de Defesa da Mulher de Franca.

A Delegada, foi eleita em 2018 pelo Partido da República (PR) de São Paulo com 63 mil votos conquistados, e se tornou a primeira mulher a ter o cargo de Deputada Estadual por Franca.

Além de sua tradicional bandeira pela ética na política, segurança, e defesa dos direitos da mulher, a Delegada Graciela quer trabalhar para a criação de uma Frente Parlamentar por uma política de incentivo para garantir a permanência das indústrias no município de Franca e demais cidades que aumentam os índices de desemprego com a evasão de suas empresas. Veja a entrevista da Revista Mulher Determinada com a Delegada Graciela focando em suas atividades focada na defesa dos direitos das mulheres:

Revista Mulher Determinada (MD): Qual a importância para a Delegada Graciela ter ganho um lugar no legislativo?

Delegada Graciela: Eu já tenho uma atuação no Poder Legislativo, mas no âmbito municipal. Fui vereadora por três mandatos em Franca, sendo que no terceiro mandato fui a mais votada entre todos os eleitos. Também estive perto de me eleger deputada federal em duas oportunidades. Obtive médias de 60 mil votos e fiquei como primeira suplente, só não me elegendo em razão da linha de corte do partido à época. Agora, felizmente, deu tudo certo e fui eleita. A importância desta eleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo é grande. Sou a primeira mulher eleita para o cargo de deputada por Franca, tanto estadual como federal, isso nunca havia acontecido. É uma vitória para a representatividade feminina na política. Mas também é muito importante pela oportunidade que terei de apresentar indicações, requerimentos e projetos de lei que possam ampliar a proteção, o acolhimento e o atendimento de forma geral às mulheres vítimas de toda forma de violência.

MD: Para a Delegada, que faz parte das 19 mulheres que entraram como Dep. Estadual, o que falta para o número de cadeiras ocupadas no poder legislativo tenha uma igualdade de gênero?

Delegada Graciela: É preciso que as mulheres busquem cada vez mais o seu espaço. Mas não somente por serem mulheres, mas pela capacidade de trabalho, pelo destaque em seus respectivos campos profissionais, pelo trabalho em prol da comunidade. Muitos dos principais cargos em multinacionais e também na política nacional e mundial são ocupados por mulheres e isso tem que ser um incentivo para que a participação feminina aumente e tenha cada vez mais qualidade. A mulher, em linhas gerais, tem uma grande capacidade de realização, organização e ética e isso, na boa política, é fundamental.

MD: A Delegada levanta a bandeira pela ética na política, segurança, e defesa dos direitos das mulheres. Então o que a senhora pretende fazer em relação a onda de feminicídio que anda acontecendo no Estado de São Paulo? Já tem algum projeto para esse tema?

Delegada Graciela: O feminicídio, como o homicídio de forma geral, é um crime de difícil prevenção, pois envolve fatores como premeditação e passionalidade e muitas vezes é cometido por um homem que, até então, não apresentava traços de violência. Nestes casos, é preciso que haja uma investigação eficiente e penas duras, pois nada justifica tirar a vida de outra pessoa. Porém, uma relevante parcela dos feminicídios poderia ser evitada, pois decorre de situações de reincidência. Muitas vezes, a mulher agredida tem que voltar para a presença do agressor por não ter para onde ir, sozinha ou com filhos. Entendo que se faz necessária uma ação mais intensa do Estado, com investimentos pesados na melhoria das condições de trabalho das Delegacias de Defesa da Mulher, reestruturação dos prédios, contratação de mais policiais civis para atendimento e investigação abrir mais concursos para aumentar o quadro de delegadas da mulher, além de investimentos e ampliação na rede de acolhimento da mulher vitimizada. O anúncio da implantação do Botão do Pânico é um acerto do governador, uma excelente iniciativa que sinaliza a disposição dele em abraçar a causa. Como deputada, tudo o que for possível, eu farei. Tanto que minhas primeiras indicações foram para implantação da DDM 24 horas em Franca, reformas no prédio e aumento no quadro de policiais. Com boa vontade, trabalho e disposição, é possível melhorar.

MD: Ainda no tema do feminicídio, a senhora já comandou a delegacia que investiga crimes contra mulheres na cidade de Franca por mais de duas décadas. O que você diria para as mulheres que são vítimas de agressões, mas sentem medo em denunciar o marido ou companheiro para as delegacias? Na sua opinião, o que falta para que essas mulheres se sintam protegidas após a denúncia?

Delegada Graciela: Digo que o silêncio em relação às agressões nunca é o melhor caminho. É preciso denunciar, procurar ajuda das autoridades policiais e do Judiciário. O medo de denunciar não ocorre somente pelas agressões, mas também pelo que elas vão fazer se o marido ou companheiro for preso. Muitas vezes, a mulher não tem apoio da família e nem renda para se manter e aos filhos. Nesse ponto, entra o poder público. Por isso lutei muito para a implantação da casa de apoio à mulher vitimizada em Franca, quando era vereadora. A gente recebe a vítima na delegacia e tem que haver um local para que ela possa ir após a denúncia. Além do acolhimento, é fundamental que haja um trabalho posterior de requalificação profissional, recolocação no mercado de trabalho e assistência educacional, com creche ou escola para os filhos. Este suporte do Estado, funcionando adequadamente, será um importante aliado da polícia e, sobretudo, das mulheres vitimadas pela violência. Ainda estamos longe do ideal, mas vamos trabalhar para que a situação atual gradativamente melhore.

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hgf
hgf
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